Polícia e MPT investigam lanchonete que propôs 'calça marcando' e decote a candidatas a emprego em SP; entenda
15/04/2026
(Foto: Reprodução) O que se sabe sobre hamburgueria que oferecia salário maior a mulheres que usassem decote
A Polícia Civil informou nesta terça-feira (14) que os casos envolvendo candidatas que receberam propostas de uma hamburgueria em Ribeirão Preto (SP) para ganhar um salário maior se usassem decotes e roupas justas são investigados e as diligências estão em andamento.
Em nota encaminhada ao g1, a Secretaria de Segurança Pública disse que um dos casos está com o 3º DP e o outro, com a Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). A pasta não passou detalhes das investigações, porque uma das vítimas envolvidas é menor de idade.
O Ministério Público do Trabalho instaurou um procedimento administrativo para investigar a conduta do estabelecimento, que fica na Avenida do Café, e dos responsáveis.
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O caso mais recente aconteceu há cerca de duas semanas. A hamburgueria é a Oliveira Burguer, e o dono do estabelecimento foi identificado como Rafael Oliveira. Ele reconheceu o erro, lamentou a situação e afirmou que jamais teve a intenção de ofender nenhuma mulher.
O g1 apurou que não houve expediente no fim de semana. As redes sociais da hamburgueria foram desativadas quando o caso veio à tona, na sexta-feira (10).
"A atuação visa apurar a responsabilidade do estabelecimento, interromper as práticas abusivas e garantir o cumprimento das leis trabalhistas e constitucionais, zelando pela formação e dignidade dos jovens afetados", disse o MPT.
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Segundo o órgão, a legislação brasileira proíbe estritamente o trabalho de menores de 18 anos em horários noturnos (após as 22h), o serviço de bebidas alcoólicas por adolescentes e qualquer atividade que os submeta à exploração sexual ou fira sua integridade moral.
"Diante da gravidade dos relatos, que sugerem a objetificação de menores e o descumprimento de normas fundamentais de proteção à infância e juventude, o MPT informa que instaurará procedimento administrativo para investigar o caso".
Mulher de 23 anos diz que hamburgueria de Ribeirão Preto (SP) ofereceu vaga para trabalhar com calça que evidenciasse as partes íntimas
Reprodução/g1
A lanchonete utilizava o WhatsApp para anunciar as vagas, que eram compartilhadas em grupos destinados a pessoas que buscavam oportunidades de emprego.
Nestes grupos, a mensagem se limitava a dizer que era um trabalho fixo, para mulheres e não precisava de experiência. Para obter mais informações, as candidatas interessadas precisavam enviar uma mensagem privada para o número disponibilizado no anúncio.
Era durante essa conversa direta que o responsável pela hamburgueria apresentava as condições, atrelando um salário maior ao uso de roupas que marcassem as partes íntimas da candidata.
À EPTV, afiliada da TV Globo, o dono do estabelecimento, identificado como Rafael Oliveira, reconheceu o erro, lamentou a situação e afirmou que jamais teve a intenção de ofender nenhuma mulher.
Adolescente de 17 anos disse que ficou abalada com proposta de trabalhar de decote para receber salário maior
Reprodução/EPTV
'Desrespeitada e invadida'
Uma das vítimas, uma mulher de 23 anos, afirma que se sentiu desrespeitada e invadida pela mensagem que recebeu do recrutador pedindo 'uma calça legging mais marcando, porque isso atrai cliente'.
Nos prints, aos quais a reportagem teve acesso, a vítima, que terá a identidade preservada, ainda questionou se 'mais marcando' significaria evidenciar as partes íntimas e recebeu que sim como resposta. Ela recusou a vaga após a mensagem.
"Eu precisei confirmar para ter certeza sobre o que era marcar, porque desacreditei".
A mensagem que anunciava a vaga dizia que era um trabalho fixo, para mulheres e não precisava de experiência. O recrutador ofereceu a ela R$ 90 para seis horas de trabalho, que poderia chegar a R$ 180 se ela aceitasse a condição imposta.
Uma adolescente de 17 também denunciou a hamburgueria e afirmou que ficou abalada com a situação. A mensagem oferecia R$ 300 a mais no salário se ela usasse decotes e calças justas.
"Eu estou nervosa, porque isso mexeu muito comigo. Ele falou que iria pagar um valor a mais se fosse com roupas curtas, ele pediu foto minha, do meu corpo e eu fiquei muito em choque com isso tudo. É muito triste ver isso acontecendo com a gente".
Mensagens mostram recrutador oferecendo salário maior para candidata que aceitasse trabalhar com 'roupas curtas' e 'decote'
Reprodução EPTV
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