Unicamp tem greve em ao menos 20 cursos; estudantes cobram moradia, bolsas e fim da terceirização
14/05/2026
(Foto: Reprodução) Imagem aérea do campus da Unicamp em Campinas
Reprodução/EPTV
Estudantes da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) aprovaram a greve e iniciaram uma paralisação em diversos cursos da instituição. Até esta quinta-feira (14), ao menos 20 centros acadêmicos haviam aderido, segundo o Diretório Central dos Estudantes (DCE).
As assembleias para decidir sobre a adesão ao movimento começaram na última quarta-feira (7). A expectativa do DCE é que outros seis centros acadêmicos da graduação realizem reuniões ao longo do dia para deliberar sobre a participação na greve.
Em nota, a Reitoria da Unicamp informou que as negociações com as lideranças do Fórum das Seis, articulação sindical e estudantil que mobiliza a USP, a Unesp e a Unicamp, seguem em curso, reafirmando o compromisso com o diálogo transparente e construtivo (veja a nota completa abaixo).
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Quais cursos aderiram à greve?
De acordo com a entidade estudantil, no campus de Campinas, os que já aprovaram paralisação são:
Arquitetura
Licenciatura Integrada de Química e Física
Engenharia de alimentos
Midialogia, Música, Cênicas, Dança e Visuais
Biologia
Farmácia
Geologia e Geografia
Engenharia de Controle e Automação
Fonoaudiologia
Economia
Ciências Sociais e História
Profis
Engenharia Mecânica
Pedagogia
Química
Letras, Linguística e Estudos Literários
Medicina
Computação
Física/Cursão
Filosofia
Novas assembleias devem ser realizadas nesta quinta-feira, durante a tarde, em outros seis cursos. Já no campus de Limeira (SP), cerca de 3 mil alunos aderiram à greve e suspenderam as aulas na semana passada.
Quais as principais reinvindicações dos estudantes?
O movimento estudantil afirma que a greve busca "dignidade para morar, estudar e trabalhar". Entre as principais reinvindicações, estão:
Bolsas e ações para garantir permanência
Melhorias no transporte dentro e entre os campi
Acesso a serviços de saúde especializada e mental
Implantação do Serviço de Atenção à Violência Sexual (SAVES) em Limeira (já existente em Campinas)
Espaço físico para centros acadêmicos e diretórios
Fim da terceirização de serviços
Contra a autarquização do Hospital de Clínicas
Segundo o representante do DCE, a greve só termina após resposta direta da Unicamp sobre as oito pautas, com prioridade para a moradia estudantil e políticas de permanência.
Estopim da greve
A greve foi motivada pela falta de resposta às reivindicações na reunião do Conselho de Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp), realizada na última segunda-feira (4).
🔎 O Cruesp é formado pelos reitores da Universidade de São Paulo (USP), da Unicamp e da Universidade Estadual Paulista (Unesp), além dos secretários de Desenvolvimento Econômico e da Educação. Atualmente, o conselho é presidido por Paulo Cesar Montagner, reitor da Unicamp.
"A pauta estudantil não foi colocada na mesa de negociação na última sessão do Cruesp dessa última segunda-feira. Percebemos que a pauta estudantil estava sendo colocada de lado [...] percebemos, então, a necessidade de fazer uma movimentação um pouco maior", afirmou Víctor Guglielmoni, o representante do Diretório Acadêmico de Limeira.
Sindicato de servidores também entrou em greve
Trabalhadores bloqueiam entrada do campus da Unicamp para manifestação
O Sindicato dos Trabalhadores da Unicamp (STU) também aderiu à greve, que afeta 23 setores. Segundo o STU, há impactos:
Faculdade de Ciências Médicas
Instituto de Filosofia e Ciências Humanas
Faculdade de Engenharia de Alimentos
Instituto de Biologia
Instituto de Geociências
Instituto de Física Gleb Wataghin
Faculdade de Ciências Aplicadas (Limeira)
Faculdade de Enfermagem
Divisão de Educação Infantil
Diretoria Geral de Administração
Instituto de Computação
Biblioteca Central
Instituto de Química
Centro de Engenharia Biomédica
Hospital de Clínicas e Hospital da Mulher (começando a aderir)
Colégio Técnico de Campinas (Cotuca)
Faculdade de Educação
Instituto de Artes
Diretoria Acadêmica
Sistema de Arquivos (Siarq)
Instituto de Matemática, Estatística e Computação Científica
Secretaria Executiva de Comunicação
Centros e Núcleos (Cocen)
Segundo o STU, as entidades ligadas às três universidades estaduais paulistas apresentaram 13 pautas para serem incluídas na campanha salarial 2026:
Reajuste salarial de 15,97% para recompor perdas desde maio de 2012, além da reposição da inflação de 2025/2026;
Valorização dos salários iniciais das carreiras técnico-administrativas e docentes;
Garantia de isonomia salarial entre técnicos, docentes e servidores do Ceeteps;
Destinação de 8,64% da Receita Tributária Líquida do Estado para USP, Unesp e Unicamp;
Contratações por concurso público e reposições de vagas;
Reversão de contratos terceirizados;
Redução da jornada para 30 horas semanais (técnicos e saúde), sem corte salarial;
Fim do ponto eletrônico e condições dignas de trabalho;
Defesa da aposentadoria pública e fim da contribuição de aposentados;
Hospitais universitários 100% públicos e Serviço Único de Saúde (SUS);
Ampliação das políticas de permanência estudantil, como bolsas e moradia;
Combate a assédios e violência institucional, com protocolos efetivos;
Defesa da autonomia universitária e democracia interna.
Ainda foram citadas reivindicações emergenciais como vale-alimentação, vale-refeição, auxílio saúde, progressões e o pagamento de retroativos (“Descongela Já”). Nesta quinta (14), representantes do Fórum das Seis irão para São Paulo para uma nova tentativa de negociação com o Cruesp.
O que diz a Unicamp
A Reitoria da Unicamp informa que as negociações com as lideranças do Fórum das Seis seguem em curso, reafirmando o compromisso da Universidade com o diálogo transparente e construtivo.
Neste sentido, comunicamos que um novo encontro entre os representantes do Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas (Cruesp) e das entidades sindicais será realizado na próxima quinta-feira, dia 14 de maio, em São Paulo.
A Unicamp reitera que preserva e respeita os princípios fundamentais da democracia e do debate institucional. Informamos ainda que as atividades essenciais da Universidade transcorrem normalmente.
A Reitoria permanecerá empenhada no processo de negociação, buscando garantir que o desfecho seja o melhor possível para a preservação das atividades acadêmicas e para o conjunto da comunidade universitária.
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